Abuso sexual - consequências e superação

Abuso sexual - consequências e superação

publicado por Paula (Prem Nigama)

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Abuso de qualquer natureza é uma conduta despropositada, que deve ser a todo custo rechaçada e que acarreta traumas profundos. Dentre todas as modalidades de abuso, talvez a sua face mais perversa seja a do abuso sexual. 

Abuso sexual – Por denominação legal, trata-se de uma série de práticas sexuais onde há o desvirtuamento dos pressupostos necessários para sua ocorrência, tais como, a falta de consentimento, o uso de violência física ou moral, além do enganar, do ludibriar, do aproveitar-se da confiança ou da falta de conhecimento, entendimento e compreensão da vítima.

É uma experiência terrível, em qualquer fase da vida, traumática, que causará bloqueios e perturbações racionais, físicas e emocionais.  As cicatrizes serão profundas e dolorosas sempre, mas torna-se ainda pior quando experienciado na infância. Suas consequências acabam ampliadas por conta da falta de crivo racional da criança, aliado à memória nebulosa dos fatos, o não entendimento e percepção do que realmente acontecia, somando a ausência de consciência de que aquela prática se tratava de abuso – Muitas pessoas hoje adultas, relatam que quando criança acreditavam que “aquilo” era uma brincadeira  - A falta de discernimento infantil não blinda, ameniza ou afasta os efeitos consequentes advindos do abuso, ao contrário, potencializa seus traumas.

CONSEQUÊNCIAS DO ABUSO SEXUAL

Muitas são as consequências do abuso sexual, abaixo listei apenas algumas delas, a título de exemplo:

Culpabilidade – A vítima se culpa pelo ocorrido, acredita que deu causa ao abuso, que instigou, provocou e motivou o abusador.

Medo – Medo do julgamento da sociedade e familiares, medo de não ser entendida e acolhida, medo do abuso piorar, medo de ser exposta (pode desencadear crises de ansiedade, síndrome do pânico, depressão).

Vergonha – Como a vítima em algum lugar de si acredita ser culpada pelo abuso, ela se sente envergonhada pela sua conduta e por não ter conseguido evitar ou se defender do abusador.

Inadequação – Sentir-se suja, desencaixada, fora do lugar.

Baixa autoestima – Sente-se inferiorizada, menos importante ou menos capaz que os demais. 

Aceitação física – Sente-se feia, enojada da sua aparência, identifica no seu corpo o culpado pelo abuso, logo o repele, não o aceita, nega-o.

Falta de confiança – A vítima tem dificuldade de confiar nas pessoas, não se sente segura, tem a sensação de que em algum momento algo ou alguém a fará mal.

Dificuldade de entrega – Por conta de não se sentir segura, a vítima de abuso sexual terá maior dificuldade de se sentir à vontade e estar relaxada, disponível, seja em momentos sexuais ou não.

Dificuldade com o exercício da sexualidade e do sexo – Muita dificuldade de integrar-se com seu corpo e conhecê-lo, expressar-se. O relacionar-se com pessoas não é algo fluido e natural, pois não se sente segura e, por consequência, o relacionar-se afetivo e sexual serão ainda mais dificultados por conta da insegurança e falta de confiança que desenvolveu ao longo do tempo para se proteger.

Ausência ou dificuldade de acesso ao prazer – A vítima de abuso tem dificuldade de entregar-se e experimentar prazeres em geral, é como se ela se sentisse em débito com o mundo em 100% do tempo, como se ela não fosse digna ou merecedora de prazer, portanto, não acessar o prazer seria uma espécie de “castigo”, é como se ela não pudesse e não devesse sentir prazer. Esta questão se amplia quando o prazer está ligado à prática sexual, pois além da sensação de não poder acessá-lo, aflora-se também a dificuldade de lidar com seu corpo, de se entregar, de relaxar, de estar disponível e sentir-se segura com o parceiro, além disso, ela enxerga o sexo como algo sujo, violento, que a causou sofrimento, logo, como encontrar prazer em algo que traz sofrimento?

Os traumas emocionais, físicos e psíquicos são inúmeros, cada vítima reage de uma forma e elaboram de maneira mais evidente algumas consequências que outras, isso é pessoal, somos seres da mesma espécie, muito parecidos, mas completamente diferentes na nossa individualidade de sensações, emoções, sentimentos, buscas, anseios, experiências e expectativas de vida, portanto, cada vítima e sua história devem ser realmente encaradas e acolhidas como únicas.

SUPERAÇÃO

Superar uma violência do porte do abuso sexual é uma decisão, uma escolha muitas vezes difícil e dolorosa, a ajuda externa é necessária e de grande valia para vítima, mas querer de fato superar e buscar meios para tanto, é necessário.

Além disso, superar um abuso não é algo instantâneo, mágico, um botão que uma vez decido apertar, pronto, poff, sumiu, superei! Não, não é assim que funciona. A superação de algo dessa natureza é diária, é o tempo todo, você decide superar todos os dias, trata-se de uma renovação, nunca será esquecida, nunca desaparecerá.

Superar não é desaparecer com algo, promover uma limpeza. Superar é aprender a lidar com esse algo e, sobretudo, não alimentar uma dor que não está acontecendo agora. Sim, você foi abusada um dia, por um período,  houve um lapso de tempo que isso ocorre, que pode ter sido longo ou não, isso não importa, neste momento, nasce um sofrimento. Mas hoje, agora, neste exato momento, você não é mais abusada, a dor existe, a ferida está lá, há uma cicatriz, nunca será esquecida (é como um braço quebrado, que apesar de curado, fica sensível quando muda a temperatura). A ferida do abuso existe, mas não está mais aberta latejando, portanto, não há mais porque alimentar o mesmo sofrimento do passado, do momento em que ainda latejava.

Decidir superar é uma escolha imprescindível; procurar ajuda especializada é essencial; entender, compreender e aceitar que você foi vítima e que vítima não é culpada é fundamental. Todos estes passos começam a formar sua caminhada rumo à superação. 

Paula (Prem Nigama)
Autora do ebook Tantra a Dois, passou pelas principais escolas de Tantra do Brasil.Advogada, deixou o mundo corporativo para mergulhar numa jornada de autoconhecimento através do Tantra. Certificada em Terapia Tântrica e Renascimento, foi assistente dos grupos O Caminho do Amor e Capacitação para Terapeutas [...]

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