Sabotagem e a energia sexual

Os mecanismos de defesa do ego e o fluxo vital

Sabotagem e a energia sexual

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O ego muitas vezes é visto como um inimigo a ser combatido com todas as forças e formas. Porém ele é um grande aliado no despertar das suas capacidades inatas e poderes para desenvolver um arsenal benéfico imenso na sua jornada de consciência de si e sua auto cura.

Já dizia Carl Jung que “eu não sou o que aconteceu comigo, eu sou o que escolhi me tornar”, e tendo isso em vista, parece até fácil sabermos quando viramos vitimas de nós mesmos, e por um lado é, porém exige olhar atento, carinhoso, acolhedor e cheio de verdade para com nós mesmos. Esse olhar é treino, é algo que se desenvolve com tempo e espaço para si, tempo para sairmos da posição de ver a nossa realidade pelo buraco de nossa própria ferida e espaço para que isso possa acontecer de formas variadas, em diversas perspectivas que não a própria dor.

Temos 4 mecanismos de defesa principais do ego, que se escondem entre os escombros de nossas mentes e emoções mal resolutas diante dos ápices corriqueiros e corridos do dia a dia, sendo eles o crítico, o desprezo, a retirada e por fim, o defensor.

O primeiro deles, o crítico, vem quando nos deparamos com uma conversa que há troca de informações, ou alguma nova informação nessa troca, sendo ela com um amigo, um colega de trabalho ou até mesmo com seu terapeuta. O casulo do crítico se rompe e se inicia um processo de criticar justamente pelo medo de ser criticado, afinal esse ego não gosta de ser cobrado ou se sentir no papel de débito em cobrança, mesmo que de fato não haja qualquer formatação de cobrança nessa troca. Antes mesmo de eu me sentir cobrado, eu cobro, antes mesmo de você terminar o que há em sua fala, eu falo para que você não me cobre nada que não seja algo que eu possa ou poderia dar, então eu critico. Cobro demais de você para que você não cobre de mim mais tarde algo que já lhe foi cobrado por mim.

No desprezo ocorre o fato de você simplesmente achar graça, começar a rir ou diminuir a seriedade do que está acontecendo diante de você, ou do que pode estar sendo dito a você em determinada ocasião. Meu eu, não sabendo conduzir bem o que sinto com o que está se desenrolando ao meu redor, diante de mim ou do que ouço, acho graça e diminuo a situação em questão pois não lido bem com nada disso, nem mesmo com a seriedade da questão ou o acontecimento em pauta. Geralmente quem tem esse mecanismo de defesa, diz que não o tem, é o maior negacionista de coisas que estão claras em qualquer situação, principalmente se tratando de desprezo, pois, não levando a sério o que me vem aos olhos, não preciso olhar sequer para mim mesmo enquanto estou aqui. Rindo de tudo posso negligenciar qualquer fato que me chega e possa me causar ruido interno ou mesmo qualquer movimento em direção a esta questão.

Quando estou na retirada eu fujo de qualquer conflito que se apresenta e espero que magicamente as coisas se resolvam sem minha interferência, fugindo de qualquer que seja meu papel na cena. Basicamente quero “paz”, é o grande propagador da positividade toxica, ou da passividade imposta por uma harmonia desonesta em si, saindo do caos e sem me deparar com qualquer tipo de problema que meu ser interprete como sendo problemático a mim mesmo. Deixando pra lá a situação se resolve sozinha, com tempo, não precisam de interferência de minha parte ou de qualquer decisão e atitude para que apresente melhora ou resolução, principalmente situações que de fato precisam de minha atuação para tal resolução, sendo ela qual for. Me abstenho de posicionamento e vivo minha pseudo paz na inércia da não tomada de qualquer decisão, e assim evito o conflito com quem quer que seja, inclusive dentro de meu próprio ser inerte numa situação onde a assertividade da minha decisão seria providencial e não é, meu treino é com a fuga.

O defensor é nosso grande contador de estórias, o grande narrador de ficções de si apoiado por narrativas de defesa em qualquer que seja sua posição fictícia dentro dos acontecimentos. Entendo melhor esse sabotador, temos aqui alguém que pode sempre chegar atrasado, sempre deixar suas tarefas pela metade, sempre arrumar uma desculpa para si e para o outro da sua “tragédia” pessoal. Tenho sempre uma boa desculpa para não te ouvir, não executar determinada tarefa, para deixar de cumprir um compromisso comigo mesmo ou com você. Não espere nada de mim que não seja um “bom argumento” pautado na minha própria tragédia ou (im)previsibilidade. O defensor tem mil motivos para fazer você, e ele mesmo,acreditar que isso esteja acontecendo, e mesmo que não acredite nele, ele acredita em si. Ele conta para si estas estórias todos os dias para que ele mesmo possa crer, sendo estas desculpas reais ou não, mas servindo assoalho do palco onde perambulo com minhas próprias auto sabotagens.

Estes mecanismos mal formulados do ego que defendem você de seu potencial interno e te permitem viver de forma reduzida sua energia potencial vital, atrasam seu desenvolvimento, criam uma película que te fazem enxergar uma sala através do buraco da fechadura onde detalhes importantes do cenário se perdem e se dissolvem dentro do seu próprio limite autoimposto, e isso independe da forma como adquiriu essa película protetora de si.

Libertos dessas amarras e couraças sua potência energética flui. Você aprende a liberar aos poucos os nós e medos inconscientes que te fazem cair sempre na mesma armadilha do ego e que te puxam para sistemas inferiores da sua própria potência. Como energia sexual é fluxo de energia vital e está ligado a todos os processos práticos da vida cotidiana, não há como adquirir potencia sem que você se descortine do ego inferior, e ainda melhor, que o use para seu guia, sem descartar, sem negar, sem reduzi-lo ou rebaixa-lo ao seu inimigo oculto e interno escondendo-se nas entranhas, mas, como uma bussola, um farol que o guia para orientar suas atitudes e padrões a um espectro de sua maior força de ser e estar.

O tantra mais que prazer, proporciona essa lente aos poucos, com carinho, acolhimento e calma. Uma vida orgástica, e aqui não me refiro (unicamente) ao orgasmo genital, passa por todo seu corpo em forma de presença, e é na presença que o tantra flui, é na presença que ele te desperta e é na presença que o ego inferior vira seu grande mestre e orientador para que suas capacidades sejam lapidadas e sua energia não seja nada menos que fluxo. Quando paramos de nos defender, paramos de nos defender de nós mesmos e vivemos uma vida sem inimigos.

Sasha - TANTRA TERRA
Terapeuta Tântrica Corporal, formada em todas as modalidades do Método Deva Nishok, iniciada no ISTA - SSSEX Level I (Spiritual Sexual Shamanic Experience), Terapêuta Quântica formada em Processos de Access Consciousness (Barras Access & Facelift) e Meditações com aplicações de Tons Pineais. Mestre Reikiana, Mentora [...]

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