Como escolher o sexo do seu terapeuta tântrico?

A cura do feminino na massagem tântrica

Como escolher o sexo do seu terapeuta tântrico?


em 11/01/2019 (Tantra, Massagem Tântrica, Terapêutica Tântrica, Tantra para Mulheres)

Uma vez eu li em um livro que tratava de cura pélvica feminina que existem determinados traumas que somente um homem poderia curar numa mulher. A afirmação parecia forte demais e me intrigou. 

Mas faz pensando mais profundamente fazia sentido porque, considerando minha história pessoal (e a de muitas outras mulheres), muitas das minhas feridas emocionais haviam sido produzidas desde pequenas pelos homens ao meu redor. E eu pensava, nada mais justo, que a cura do meu corpo e da minha sexualidade viesse através de mãos masculinas. Através do toque consciente e amoroso de um homem, talvez o oposto do que eu vinha experimentando.

Foi assim que busquei sempre terapeutas homens. Algo em mim desejava que o outro extremo da polaridade me curasse dos traumas sexuais e emocionais que sentia desde a infância e que eu já estava pronta para liberar.

Foi inegável que os terapeutas com quem passei por processos de cura e massagem fizeram uma grande diferença na minha vida. Foi através das mãos de um terapeuta homem que, depois da minha primeira sessão, acessei memórias de dor e sofrimento dos meus antepassados e os trouxe à superfície para serem curados. Foram através de mãos masculinas que, após a segunda sessão de massagem tântrica, me senti tão bem e feliz comigo mesma que a sensação perdurou vívida e maravilhosa por uma semana inteira.

Com um terapeuta de mãos amorosas  eu tive a minha primeira ejaculação, orgasmos múltiplos, e foi através do tantra (combinado com outros processos terapêuticos) que minha vida íntima desinibiu e floresceu em níveis nunca antes experimentados por mim.

Contudo, algo me chamava para trabalhar com mulheres. Uma energia suave que convida a experimentar a vida com ainda mais amorosidade. Embora eu atenda homens e mulheres, sentia uma familiaridade com o desenrolar dos processos femininos que, obviamente, minha vivência como fêmea me ajudavam a compreender. E foi assim que pela primeira vez, na Sadhana Comunna, recebi uma sessão de massagem de uma mulher.

Uau! Algo estava acontecendo de diferente nos meus processos internos!

Por bendição do universo, a terapeuta era uma mulher com uma energia feminina e materna muito forte. É engraçado pensar que isso possa fazer diferença numa pessoa que te toca com o objetivo de ter dar um orgasmo. Mas não é que fez?

Uma das imagens que me tocam e que guardo na memória foi o momento em que a terapeuta tocou a região entre o primeiro e segundo chacra, bem na altura do útero. De alguma forma, a imensidão da energia feminina me invadiu e eu me senti bem comigo mesma. Eu queria mais. Muito mais. Aquela energia era exatamente o que o meu corpo precisava, o que o lado feminino da minha psique necessitava para se curar.

Não surpreendentemente, eu vi a imagem da minha mãe nesse processo. Entendi, instantaneamente, o quanto das minhas frustrações e inibições sexuais estavam relacionados às imposições que ela tentou realizar no desabrochar da minha vida sexual. E também das imagens que eu introjetei da maneira como ela se relacionava amorosamente com meu pai.

O caminho da cura do próprio feminino é longo, gostoso, por vezes cheios de memórias dolorosas, mas único. Nas sociedades matriarcais de milênios atrás as mulheres se encontravam para compartir. Tudo. Os ciclos menstruais, as emoções, os momentos ritualísticos de conexão espiritual, a maternidade… e, pela maneira como nós evoluímos como animais, o contato com o outro é importantíssimo para fundamentar quem somos. É através dos cheiros, do comportamentos e da observação do bando que aprendemos a ser. E é através de outras mulheres que aprendemos sobre o feminino.

Depois dessa primeira experiência, fiz uma reverência profunda às experiências de tive com terapeutas homens, e escolhi continuar meu processo de desenvolvimento com uma mulher. Traçando meu caminho de volta ao meu corpo e ao meu feminino mais profundo.

Essa experiência me levou à reflexão sobre a importância de mulheres passarem pelo processo de orgasmo terapia com outras mulheres e homens passarem pelo mesmo processo com outro homem. Tudo independente de orientação sexual. É importante lembrar que a terapia tântrica é o que o nome já diz: uma terapia. Logo, devemos sempre que possível, dissociar a escolha de nossas preferências sexuais e permitir escolher não o que queremos, mas o que precisamos para nos curar.

Eu precisava dos toques de uma mulher. Você, do que precisa? :)




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