Autobiografia em cinco capítulos

Sobre a gentileza com o processo terapêutico

Autobiografia em cinco capítulos

em 14/07/2020

1. Ando pela rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Eu caio...

Estou perdido... Sem esperança.

Não é culpa minha.

Leva uma eternidade para encontrar a saída.

2. Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Mas finjo não vê-lo.

Caio nele de novo.

Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.

Mas não é culpa minha.

Ainda assim leva um tempão para sair.

3. Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Vejo que ele ali está.

Ainda assim caio... É um hábito.

Meus olhos se abrem.

Sei onde estou.

É minha culpa.

Saio imediatamente.

4. Ando pela mesma rua.

Há um buraco fundo na calçada.

Dou a volta.


5. Ando por outra rua.

[ Extraído do livro "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer"  Sogyal Rinpoche – Editora Talento / Palas Athena ]

Na emergência das dores causadas por nossas feridas emocionais quase sempre temos a esperança secreta de encontrar uma técnica, método ou abordagem terapêutica que solucione as nossas angústias de forma rápida e definitiva. A nossa criança emocional ferida, como toda criança, é imediatista. O texto acima traz as etapas que a meu ver, fazem parte de todo processo de auto desenvolvimento.

No primeiro momento nos vemos vulneráveis em uma situação nova. Por sermos surpreendidos, não temos uma estratégia para lidar, ficamos perdidos e levamos tempo para encontrar a saída.

Quando menos esperamos, nos vemos novamente no mesmo lugar de vulnerabilidade de antes. De novo? Sim. Somos movidos de forma inconsciente a esse lugar. Ainda não foi possível detectar um padrão de comportamento, identificar gatilhos, fingimos não ver a situação que estamos nos colocando. E novamente sofremos um monte para encontrar a saída.

E novamente um tempo depois lá estamos nós de novo. Mas algo acontece de diferente agora, já temos a intuição que aquele é um lugar de vulnerabilidade, conseguimos ver isso. Trazer para a consciência, mesmo que de forma difusa. Ainda assim caímos. É o poder do hábito. Ter consciência já é uma quebra importante, mas não resolve de imediato. Por outro lado, já assumimos a responsabilidade pela nossa condição e conseguimos sair da situação mais depressa.

Continuamos a flertar com esse lugar de vulnerabilidade, porém já conseguimos não cair nele. Até que chega o momento que simplesmente já o aprendemos a evitar, e isso acontece quase que naturalmente.

As ferramentas de autoconhecimento dos processos terapêuticos entram em cena para levar ao ganho de consciência. E com essa consciência de nós mesmos e das situações a nossa volta nos empoderamos para a mudança de hábito. O tempo que leva é de cada um. E quanto a nossa criança interna imediatista, devemos acolhê-la de forma gentil. Não dá para fazê-la parar de chorar a força, mas com o devido jeito, as lágrimas serão amenizadas e o sorriso aparecerá naturalmente.




Outras reflexões

Há uma gama enorme de vibradores no mercado, diversos modelos com muitas possibilidades de uso e funções. É a tecnologia auxiliando na ampli...
O potencial humano para o prazer sexual se inicia até mesmo antes do nascimento, na vida intra-uterina e não se extingue com a velhice como ...
Motivo seria pelo fato do orgasmo aumentar os níveis de dopamina e ocitocina no corpo.Em meio a pandemia do novo corona vírus (COVID-19), mu...
Wilhelm Reich, um dos pioneiros no estudo da psicoterapia corporal e das energias humanas, desenvolveu teorias que desafiam as noções tradic...
Se me perguntar “ como posso iniciar no caminho da alma ?” minha resposta provavelmente será essa .PERMITA-SE SENTIR Não estamos aqui par...
Os homens que passaram pelo tratamento do câncer de próstata podem se deparar com uma nova realidade na relação sexual, alguns ficam receoso...
O Tantra sempre aborda a presença em primeiro lugar. Todo trabalho é voltado a percepção do corpo, da respiração, da atenção aos seus pensam...
Muita gente me pergunta, o tantra só pode ser praticado por casais?E a resposta com certeza é NÃO!O tantra não é uma terapia de casais,...
O ciúme pode ser um sentimento bem desagradável, ele pode ser manifestado para um namorado, amigo ou algum membro da família Todo mundo já ...
Em sessões de tantra, é muito comum recebermos pessoas com dificuldades de relacionamento interpessoal, problemas de afetividade, resistênci...
Vamos ser sincero, quando foi a última vez que você quis se jogar nos braços de seu parceiro? Se a resposta for no mês passado ou alguns ano...
Uma emoção, um sentimento, consciência, comportamento. Reconhecimento de elementos de valor na vida que podem ser conquistas, algo que está ...
Vejo muitos questionamentos, de mulheres, sobre como atrair a energia orgástica para o topo e fazer com que ela circule no corpo; sobre a co...

Eventos com data marcada