O que deseja Mestre?

Quando o vazio se cura na “presença”

O que deseja Mestre?

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[ art: "Formation of Emptiness" by Lora Zombie ]

Quando me refiro ao vazio, não digo exatamente sobre a falta, a ausência de algo, talvez apenas a não expectativa de ocupar um espaço de grande potencial criativo e expansão com qualquer coisa que não seja ele mesmo. Ele por si só já é. E qual dificuldade de entender ou aceitar essa percepção?

No universo ao qual “conhecemos” o maior montante de “matéria” é um espaço sem matéria e se chama supervoid – que em tradução literal nada mais é que super vazio – e que estima-se ter a capacidade de comportar dez mil galáxias, isso mesmo, dez mil galáxias, e tem um espaço de aproximadamente dois mil milhões de anos luz de território. Consegue imaginar o quão grande esse espaço é? Eu particularmente não consigo ter noção, minha percepção de espaço onde ocupo com meu corpo físico é de tamanho insignificante tal qual comparado a esse espaço imenso.

Mas traçando um paralelo comparativo do corpo do universo com nossos corpos físicos, temos um espaço tão ilimitado e fora de percepção em relação ao tamanho que ele pode atingir tanto quanto o espaço vazio que há no supervoid. Nosso corpo anímico.

Sua forma de sentir o universo e sua forma de pensa-lo tem ação direta sobre seu corpo físico, e a saúde dos seus pensamentos e emoções correspondem diretamente a saúde do seu corpo na matéria. Mas estamos sempre forçando este espaço a ser preenchido seja lá com que for, excesso de pensamentos, crises emocionais, vícios, passado que nunca é deixado no seu devido lugar, expectativas de um futuro e seja lá qual motivo for e o que ele de fato representa. Comemos demais, pensamos demais, compramos demais, reagimos demais ao que sentimos, tal qual um enorme dispositivo sempre ligado e pronto para respostas geralmente automatizadas, respostas vindas de pulsões.

Nossas pulsões, desejos e vontades vem do ID, nossa porção mais primitiva e a partir dela se desenvolve o EGO e o SUPEREGO. Porções que também nos representam através desses mesmo desejos, porém de forma bastante distinta. Quando nascemos, choramos como forma de impulso instintiva a atrair o que desejamos, somos dependentes de comida, carinho, acolhimento, limpeza, manutenção, atenção. Desejos primários e básicos para nossa sobrevivência numa primeira etapa de vida completamente dependentes dos nossos pais ou tutores.

Conforme vamos crescendo estas pulsões vão se ajustando. Damos vida ao ego que vai se moldando a nossa vivência e nossas experiências para que estas mesmas pulsões sejam atendidas em forma, tempo e espaço que nos convém. Podemos inclusive manipular nossas reais intenções em busca desse “gênio da lâmpada” para sermos atendidos, porém jamais saciados de fato, nunca percebemos uma saciedade na percepção daquilo que desejos. Alcançamos e automaticamente partimos para as próximas conquistas.

“Todo o processo da vida se resume em uma coisa – o desejo – o desejo de receber Luz, motivo pelo qual é chamada Kabbalah – Kabbalah significa receber. O mecanismo por trás de toda a atividade na terra, de toda ação humana está o desejo, um desejo pela Luz. Há guerras, conflitos e miséria humana apenas porque não cumprimos esse desejo. Essa é a única razão.”

Estes mesmo desejos nos calam o silêncio externo, interno e o espaço para que de fato possamos receber o que nos é devido e nos coloque em outro nível de vivência conosco e com nosso entorno. Como preencher um copo que já está transbordando com seu conteúdo? O estado vazio não é necessariamente uma falta, uma lacuna, mas simplesmente o espaço onde o universo se forma, ou recebe a criação, a vida. Um espaço competente de surgimento e renovação, de onde uma nova percepção pode realmente nascer para prosperar, porém temos essa enorme mania de preenchimento, seja com que for ou com quem for.

Segunda Kabbalah, é intrínseco o desejo no homem e a busca por saciar esse fome de luz, e diz-se luz como uma forma de reconhecimento do universo, de perceber e receber o amor, o mérito e desfrute a abundância e ao sucesso. É um caminho excitante, constante e quase não percebemos como pode ser injusto com nossa presença exercida de forma inconsciente.

Ao nos prestarmos um serviço ao silêncio, podemos de fato entender que essa criança esfomeada dentro de nós nunca cresceu, e conciliar com sua presença atual é inevitável para uma vida adulta com maturidade num exercício responsável sobre nossas presenças e na presença do outro.

Se pararmos de intervir em nossos próprios espaços, nosso barulho interior, nossas pulsões e guerras internas para alcançarmos devidos lugares cessam, a ponto de abrir-se um canal, um grande espaço para um enorme big-bang interior onde seremos sempre preenchidos conosco, jamais com presenças ínfimas, com comidas excessivas, com vícios que nos calam a voz de uma verdade que nos dói, com carências que precisam ser preenchidas pois não temos força o suficiente para preenchermos conosco e tudo que nos compete dentro da criação de nós mesmos, do nosso superego, nossa porção mais consciente e que percebe a dinâmica das demais identidades que nos cercam.

Uma consciência muito maior do que qualquer barulho lá fora, afinal de contas, toda e qualquer criação é extremamente silenciosa a ponto de quase não ser percebida a não ser por olhos atentos, os mesmos olhos que voltados para dentro silenciam o corpo, as emoções e os pensamentos a ponto de nos preenchermos com nós mesmos e de vivermos completamente harmoniosos com nossos vazios, que jamais representariam qualquer sensação ou noção de falta.

No Tantra nosso caminho é interno para o despertar da consciência conciliadora, e ele como um sistema de acolhimento total de quem somos e como somos, não exclui nada, absorve e acolhe tudo para a melhor versão de nós mesmos, dentro do nosso silêncio, dentro do nosso diálogo interior, mas sempre buscando um ponto de equilíbrio onde nossas presenças e espaços sejam sempre estados de percepções e aceitação em estados plenos de serem vivenciados.

Se ouça, se silencie, pratique a atenção sobre você e suas pulsões, se esvazie e se encha de presença em si, com espaços para acolher cada vez mais do universo e ser surpreendido através da percepção consciente do que você recebe de si e do mundo, e de como esse mesmo universo interno te molda a partir de lugares concebíveis somente com esse movimento.

Esteja vazio e esteja preenchido com tudo que é de mais primordial no universo, você!

Sasha - TANTRA TERRA
Terapeuta Tântrica Corporal, formada em todas as modalidades do Método Deva Nishok, iniciada no ISTA - SSSEX Level I (Spiritual Sexual Shamanic Experience), Terapêuta Quântica formada em Processos de Access Consciousness (Barras Access & Facelift) e Meditações com aplicações de Tons Pineais. Mestre Reikiana, Mentora [...]

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