O Tantra e a revolução dos gêneros

O Tantra e a revolução  dos gêneros

publicado por Paula Bellegard

A revolução de gênero nossa visão e nosso discurso passaram por uma transformação radical. Como é possível que Shiva, a essência da consciência, e Shakti, a essência da energia e força, ainda acabem sendo reduzidas a um homem e uma mulher, a um casal de amantes heterossexuais?
A mente ocidental argumenta que, se o tantra une polos opostos, deve necessariamente exigir a participação de dois gêneros "opostos" (como se isso existisse!).
O gênero não é de duas gavetas, entre as quais toda a humanidade deve ser dividida: todos os dias fica mais evidente que o gênero se parece mais com o espectro do arco-iris, onde todos podem encontrar a tonalidade da cor que melhor lhes convém.
É necessário que todos entendam que nem todas as pessoas que se identificam como mulheres têm uma vulva, e nem todas as pessoas que se identificam como homens têm um pênis. Cada vez mais as pessoas estão entendendo que a vida é uma ocasião perfeita para ser aquilo que se deseja ser.
A medida que as pessoas entendem que genitália não é igual ao gênero, tudo se torna mais inclusivo .
Assim sendo sempre que atendo este tipo de interangente me baseio na comunicação eficaz sem recorrer aos nomes habituais para os órgãos genitais, como pênis, vulva, yoni, lingam entre outros. Em vez disso, me atento nas sensações. Muitas vezes ñ nomear as áreas do corpo, facilita a comunicação e reduz a sensação de vergonha do interagente já que, para muitas pessoas, os nomes tradicionais da perspectiva de gênero x genitália e seu uso funcionam como um gatilho para o desconforto ligado à disforia de gênero ( sensação de estar enquadrada em alguém que sua identidade de gênero emocional e psicológica não corresponde com o sexo que lhe foi atribuído no nascimento). Isto é, focar nessa incompatibilidade - não poderia gerar mais desconforto!
A exceção a essa regra de evitar nomes acontece quando o interagente opta por usar um nome tradicional para expressar melhor sua identidade de gênero e descobrir o que o excita. Por exemplo, alguém pode desejar experimentar seu lingam como um clitóris ou vice-versa. Também pode acontecer que alguém use uma terminologia completamente diferente para descrever sua genitália. Nestes casos, uso os termos que são do agrado da pessoa.
Neste contexto o Tantra é capaz de aceitar e conter «Tudo o Que Existe».
O Tantra é sinônimo de desconstrução e isso requer acolhimento, como terapeuta é necessário abandonar qualquer expectativa, ser humilde o bastante para primeiro aprender a anatomia genital e em seguida, "desaprender" tudo. Isto é: esquecer tudo que você pensa que sabe pra então se permitir ao verdadeiro sentir para verdadeiramente tocar pessoas. A experiência de viver abertamente com uma identidade trans ou não-conformista de gênero é algo relativamente novo em nosso mundo. Possibilitar a inclusão de alguém que vive com essa identidade e / ou expressão de gênero é algo tão novo e engrandecedor, que merece todo o amor do mundo. Me sinto honrada em ser um canal desta linda experiência.

Paula Bellegard
Apaixonada pela cultura oriental, minha busca é pelo autoconhecimento! O tantra nós ensina que se nos aceitarmos com braços abertos, podemos converter tudo o que aconteça em uma experiência transformadora.É sobre entender que a energia sexual oferece um caminho poderoso para a criação, que o [...]

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