Saiba como fazer massagem tântrica com um casal ajudou tratar a minha alma

Saiba como fazer massagem tântrica com um casal ajudou tratar a minha alma

publicado por Jorge Gauthier

Correio24horas

em 20/set/2018

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Demorei 20 dias para conseguir finalizar esse texto. A primeira vez que fiz uma massagem tântrica, com Rajan, vivi sensações orgasmáticas únicas em minha vida. No dia 31 de agosto, voltei ao mesmo apartamento no Rio Vermelho para fazer uma nova sessão: a quatro mãos. Os terapeutas Satta Prem e Jorge Mahaprabhu, do canal no youtube TantrAmor,  me convidaram para sentir uma nova experiência.

De coração aberto me despi de tensões e me permiti uma nova vivência. Afinal, pela primeira vez na vida adulta, uma mulher tocaria o meu corpo nu (e ainda acompanhada pelo seu marido). Não, não tem nada de sacanagem nisso. Muito pelo contrário.

Tudo começa com o tom de voz. Ofegante com a subida das escadas até chegar no apartamento fui acolhido por Satta. Sentei-me no pufe do quarto e comecei a conversar com ambos. Falamos sobre a primeira massagem tântrica que fiz, o que eu senti e como foram as sensações. Logo de imediato eles me explicaram que cada sessão trazia uma vivência diferente.

Deitei-me no colchonete azul. As luzes foram apagadas. Olhos fechados e o som de mantras começou a entrar nos meus ouvidos. Os toques múltiplos pareciam não fazer nenhuma reação específica no corpo. O tempo passava e na cabeça, de olhos fechados, tentava identificar onde as mãos masculinas e femininas tocavam meu corpo. Não dava para perceber.

Aos poucos cada parte do meu corpo começou a ser estimulada. Toques sensíveis, leves e sempre seguidos por vozes que se misturavam de lado a lado com as canções que ecoavam do pequeno som. Mesmo tendo sido avisado que seria uma experiência diferente eu acabava buscando na mente as mesmas sensações que senti na primeira vez. Em vão.

Os orgasmos secos apareceram, mas de outra maneira. Em outros locais do meu corpo. Nunca imaginei sentir orgasmos com uma mulher tocando meu corpo. Mas aconteceu. Foi diferente. Foi estranho. Foi uma mistura de prazer com a sensação de que ‘minhas caixinhas dos medos’ estava sendo aberta. Os dois me tocavam ao mesmo tempo e eu começava a perder o controle do meu corpo e dos meus pensamentos.

Eu havia acabado de sair da sessão com minha psicóloga onde tinha falado bastante sobre meus medos e dores da alma. Sim, a alma dói. E há dores tão lancinantes que parecem serem intermináveis. Essas dores ficaram mais fortes. Sentia meu corpo queimar a cada pedaço de unha dos dois que passava pelo meu corpo.

Não conseguia controlar nenhuma das sensações. Eram risos leves que não conseguiam se transformar em gargalhadas. Eram lágrimas finas e sutis que não conseguiam desaguar. Era uma dor que queimava, mas não tinha como sair do meu corpo.

Quando eles já exploravam a região genital (entenda mais aqui sobre o tantra em reportagem de Rafaela Fleur) eu já queimava sem ter controle da minha pele. Minha alma começou a arder. Sentia cada vibração presa sem escapar dos meus poros. Quando mãos tocavam minha genital em direção ao meu peito eu vivenciava a mesma sensação de quando me afoguei no mar de Piatã em 2006. Sensação inesquecível. A dificuldade de controlar a respiração ardia e queimava. Não passava. Não conseguia pedir ajuda. Não conseguia falar. Meus olhos tremiam.

Até que a dor virou uma bola de fogo. De olhos fechados eu via uma imensa bola de fogo diante de mim. Era como se a lua cheia tivesse sido incendiada. Os dois continuavam tocando meu corpo com óleos transparentes que deslisavam em cada pêlo do meu corpo. A boca estava seca. Não conseguia manter a respiração pausada. Era forte. A bola queimava e começava a escurecer.

A bola de fogo se transformou aos poucos em uma bola negra. O brilho virou escuridão. Feixes de luz azul começaram a entrar na bola. Eu tentava abrir meus olhos. Em vão! Não tinha domínio sobre meu corpo. Na bola os feixes de luz começaram a formar rostos, gestos e situações. Eram meus medos. Eram as dores da minha alma. Sim. As dores ganharam forma. Viram rostos. Elas se materializaram. Não podia tocá-las.Tentava, mas não conseguia.

Minha caixa de Pandora de medos foi aberta. Estavam todos ali diante dos meus olhos. Era uma bola azul e preta (parecia um mangá) que se misturava na minha mente. Os medos saiam da minha alma. Passavam pela minha cabeça e iam para essa bola. Foi angustiante e libertador. Ver ali diante dos meus olhos fechados aquilo que me machucava, feria e fazia sofrer. Nunca senti uma dor assim. Não era uma dor do corpo era da alma. Senti minha alma sangrar.

Parecia que não sairia daquele momento nunca. Parecia que as dores eram maiores. Elas pareciam me dominar. Mas, em um certo momento, um toque mais forte tocou meu chakra cardíaco. Foi um impulso como se meu coração estivesse sendo reanimado por paramédicos. Meus braços, involuntariamente, se ergueram. Ganharam forças para dissipar a bola. Sim. Eu consegui limpar os medos. Eles pareciam solúveis. A bola de medos se transformou em positividades. Novas formas e cores vieram diante dos meus olhos – que ainda não tinham forças para serem abertos.

Sentia um vazio. É como se todos os medos tivessem sumido. É como se alma tivesse sido purificada. Fiquei estático. Imóvel. Sem reações diante de tudo. Não conseguia ‘voltar a mim’. Mas tremia. Vinha um riso leve. A sensação de ter visto todos aqueles medos diante de mim e ter o poder de expurgá-los mostrou que eu conseguiria fazer isso na vida real. A metáfora daquele momento passou a me guiar desde então.

Mahaprabhu precisou me oferecer água. Satta precisou me acolher. Precisava acordar e voltar para a realidade. Ao levantar do colchonete a voz não vinha. Não conseguia me reconectar com o universo real. Queria voltar a ter o poder de expurgar meus medos com as mãos. Queria voltar a curar minha alma de forma mais simples.

Precisei tomar uma ducha gelada até acordar fisicamente naquele momento. Precisei de abraços de acolhimento dos dois terapeutas. Talvez nem eles soubessem naquele momento o que havia acontecido comigo. A caixa de Pandora havia sido aberta, revirada e liberada.

A massagem ajudou a tratar as feridas da minha alma. É fato que desde então muitas dores continuaram e até voltaram. Mas elas regressaram na forma de uma cicatriz. São marcas amargas. Elas aferroaram a minha alma. São feridas que deixam marcas e aprendizados. São momentos, situações e circunstâncias que dilaceraram o corpo e fizeram registros impublicáveis na minha alma. São cicatrizes doloridas, mas que sei que tenho o poder de controlá-las.

Ter a percepção desses medos, dores e angústias diante dos meus olhos me fez passar os últimos dias bastante reflexivo. Passei a ver meus medos de outra forma. Passei a ver minhas angústias e pesares de outra forma. A massagem tântrica me deu impulso para tomar decisões importantes: doloridas, difíceis, mas necessárias para que alma pudesse ser curada aos poucos.

As dores ganharam outras formas. A dor do adeus, a dor da decepção, a dor da tristeza, a dor da vida, a dor da saudade, a dor da ausência, a dor da frustração, a dor do amor….Começaram a formar cicatrizes. Sim, as cicatrizes ardem e queimam. Mas agora tenho a percepção que a luz se transformará em alento ao sabor do tempo. Uma hora virará calma e paz. E só depende de uma pessoa: eu.

Veja a matéria completa na página original (Correio24horas)







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