O orgasmo e seu efeito terapêutico

O orgasmo e seu efeito terapêutico

publicado por Sangito Deva

O orgasmo corresponde a uma concentração de descargas bioelétricas que percorrem o corpo, gerando contrações musculares, seguidas de relaxamento e prazer intensos. Surgindo, normalmente, após estímulos das zonas erógenas, o orgasmo, ao se aproximar, muda a química do nosso cérebro, o que altera toda a nossa percepção e, dada uma certa intensidade, pode nos levar a outros estados de consciência. Ele estimula a produção de diversos hormônios, como a dopamina, que ajuda a regular nosso humor, cognição e memória, ou a ocitocina, conhecida como hormônio do amor - liberado também em situações como quando uma mãe tem seu bebê, ou quando o pai segura o filho nos braços.

O orgasmo feminino e o orgasmo masculino possuem características específicas, assim como similaridades.

O orgasmo feminino

Há muito tempo que esse assunto interessa à humanidade. O orgasmo foi objeto de estudos por parte de Hipócrates e Galeno (400 A.C.) e também por Avicena e Maimonides na Idade Média. Consta na literatura que eles criaram métodos terapêuticos para a estimulação dos tecidos genitais e desencadeamento do orgasmo. O tema não é novo e essas práticas tornaram-se comuns, sendo utilizadas até os anos 30, aproximadamente. Naquela época, os médicos prescreviam o orgasmo como um recurso terapêutico para tratar as mulheres com várias enfermidades, sendo a mais comum a histeria, (um conveniente e abrangente “diagnóstico” dado às mulheres que não “conseguiam” se adequar às convenções determinadas pela sociedade). O orgasmo, ou "massagem médica", era prescrita regularmente. 

Já no século XX, Freud traça uma análise sobre o orgasmo - mais precisamente sobre o orgasmo feminino - que serviria de base para uma série de teorias, assim como de críticas. Separando o orgasmo feminino entre o orgasmo clitoriano e o orgasmo vaginal, Freud postulou que somente uma mulher madura atingiria o orgasmo vaginal e que o orgasmo clitoriano estaria presente na vida de mulheres de psique imatura. Embora esses dois fenômenos realmente existam de maneiras distintas, sua principal distinção é a zona erógena estimulada. É um erro também imaginar que o orgasmo feminino seja assim limitado; mulheres podem sentir a sensação orgástica com estímulos por todo o corpo. É o chamado orgasmo expandido.

Infelizmente, depois das teorias de Sigmund Freud, a medicina ocidental aboliu o recurso terapêutico do orgasmo e passou a utilizar-se apenas da psicoterapia.

O orgasmo masculino

Os homens tendem a atingir o orgasmo mais rapidamente do que as mulheres. Porém, segundo dois pesquisadores americanos da década de 60 - Masters e Johnson - homens não conseguem ter orgasmos múltiplos pois após esse pico de excitação, segue um momento de relaxamento no qual a ereção se desfaz. Esse momento é chamado de período refratário e tem um tempo de duração diferente para cada indivíduo, dadas certas condições como preparo físico, idade, etc. 

Assim como é mais rápido, é dito que o orgasmo masculino é também mais curto que o orgasmo feminino. Enquanto o primeiro tende a durar entre 3 a 10 segundos, as mulheres podem vivenciar a sensação orgástica por até um minuto. Mas nem tudo são diferenças: assim como as mulheres, os homens também podem experienciar o orgasmo expandido, encadeando as reações bioelétricas por todo o corpo. E, mesmo experienciando um momento refratário que dificulta a penetração, a sensibilidade do pênis e da glande podem também ser estimuladas para fazer com que homens vivenciem os tão misteriosos orgasmos múltiplos. 

Os orgasmos múltiplos

Muito é dito a respeito desse tão incompreendido e mágico momento. Atribuído essencialmente às mulheres, os orgasmos múltiplos aparecem quando as descargas elétricas do orgasmo não cessam no primeiro pico de excitação, permanecendo frequentes, com maior ou menor intensidade. Como ondas de prazer que se sucedem, os orgasmos múltiplos são visto hoje em dia como um mistério, como um fenômeno natural que você pode ou não ter a sorte de encontrar na sua vida. Algumas o alcançam, outras não, assim, de maneira taxativa e arbitrária.

Cabe esclarecer que todos nós temos a capacidade de vivenciar orgasmos múltiplos, orgasmos secos (sem ejaculação), orgasmos de vale (nos quais o pico de energia não cai abruptamente, mas se mantém estável), assim como o orgasmo expandido, que espalha a bioeletrecidade por todo o nosso corpo. Inclusive homens, não percam as esperanças; vocês também são capazes de experimentas as sensações maravilhosas e inigualáveis dos orgasmos múltiplos tão famosos entre as mulheres.

O que acontece é que não somos preparados para isso. Torcemos para que esses orgasmos aconteçam natural e espontaneamente - geralmente esperando que surja um parceiro ou parceira com os poderes sedutores necessários para nos levar a tal experiência. Sequer imaginamos que podemos treinar o nosso organismo para atingir esses níveis elevados de bioeletrecidade. Como um atleta se prepara para um grande desafio físico, tonificando seus músculos, desenvolvendo elasticidade e concentração necessários para sua modalidade esportiva, assim também é possível preparar o corpo para atingirmos orgasmos de maior intensidade, tantos os orgasmos múltiplos quando o orgasmo expandido. E, claro, quanto mais intensos são esses momentos, maiores e mais fortes são os efeitos terapêuticos que o orgasmo desencadeia em nosso corpo. 

O Efeito terapêutico do orgasmo

O orgasmo é um dos melhores e mais eficientes tratamentos reguladores das disfunções hormonais. É um recurso natural e gratuito, disponível para homens e mulheres em qualquer faixa etária, a partir da maturidade dos seus centros sexuais.

Conforme estudo publicado pela Universidade de Michigan, o orgasmo aumenta os níveis de estrogênio e libera ocitocina, reduzindo o cortisol, o principal hormônio do estresse elevado crônico, quadro muito comum entre as mulheres de todas as épocas, mas principalmente nos dias de hoje, em que a demanda de responsabilidades sobre a mulher tem crescido consideravelmente.

Além da redução dos níveis de cortisol no sangue, os níveis de ocitocina aumentam em 5 vezes após uma forte experiência orgástica. Níveis mais altos de ocitocina fazem a pessoa se sentir feliz, enquanto baixos níveis de ocitocina estão relacionados à depressão e a níveis mais baixos de hormônio tireoidiano. A ocitocina também estreita a vinculação afetiva entre mãe e bebê e entre parceiros.

Em outras palavras, o orgasmo ajuda a santa trindade - cortisol, estrogênio e tireóide – a permanecer em seu ponto de equilíbrio. E ainda tem mais…

O orgasmo reduz a dor pela metade, sem alterar a sensibilidade. Aumenta a fertilidade, aumentando a pressão negativa dentro do útero - quando a ocitocina é liberada após o orgasmo, as contrações uterinas aumentam a sucção do sêmen no colo do útero. Além disso, a ocitocina pode aumentar a densidade óssea, evitando doenças ósseas como a osteoporose, que são muito mais frequentes em mulheres do que em homens.

Qualquer pessoa que deseje manter-se em perfeito equilíbrio funcional necessita de doses intensas de orgasmos. A falta do orgasmo ou orgasmos insatisfatórios causam desequilíbrios no corpo físico, na mente, nas emoções e na dimensão espiritual do ser. Tanto homens quanto mulheres precisam de uma dose saudável de orgasmos. E a melhor parte desse remédio é não haver contra indicação nenhuma - é o seu corpo encontrando equilíbrio consigo mesmo.

O orgasmo expandido

A maioria das pessoas conhece apenas o orgasmo genital (clitoriano ou peniano). Não só os leigos, mas inclusive todas as pesquisas que são dirigidas sobre o assunto acabam por deixar de lado outras possibilidades. É importante que todos saibam que o orgasmo pode adquirir maior intensidade e tempo de duração, podendo ser muito mais amplo do que o normalmente conhecido, que dura alguns poucos segundos. 

As características que definem o orgasmo expandido são as sensações energéticas e as contrações em todo o corpo, especialmente no abdome, músculos internos, mãos e pés, e claro, nos genitais, como descreveu Reich em seu livro de 1942, A Função do Orgasmo.

Esse orgasmo de corpo inteiro, chamado de Orgasmo Expandido, é um orgasmo que apresenta mais intensidade e uma maior duração que as sensações orgásticas descritas normalmente, conforme foi visualizado nos estudos de Wilhelm Reich. São orgasmos que podem durar de poucos minutos até algumas horas. O termo foi cunhado em 1995 por Patricia Taylor, que começou a usá-lo após uma pesquisa sobre experiências sexuais intensas com 44 casais de diversas procedências. A Dra. Taylor descreve nos relatórios de suas pesquisas, casos de praticantes entrando em estados alterados de consciência, o que os fazia sentir uma forte liberação e um rejuvenescimento emocional, experiências espirituais profundas, uma consciência que geralmente não se percebe durante os orgasmos comuns, e a percepção da bioenergia se expandindo para muito além dos limites do próprio corpo. Encontramos relatos de experiências similares em estudos realizados pela Dra. Jenny Wade e por David Deida. A Dra. Taylor afirma que os homens têm as mesmas probabilidades que as mulheres de entrar nestes estados e ter estas mesmas experiências. 

Adicionalmente, tanto Brauer, como Bodansky, tratam sobre o orgasmo expandido masculino. As teorias sobre os processos biológicos requeridos para entrar nestes estados incluem a estimulação e elevação progressiva e equilibrada dos sistemas simpático e parassimpático. 

Como chegar ao orgasmo expandido

É preciso preparar o corpo para conseguir produzir toda a bioeletrecidade necessária para atingirmos o orgasmo expandido. A masturbação e as relações sexuais - da maneira que nos foram ensinadas (e que fomos condicionados) - não desenvolvem nosso organismo para sustentar os elevados níveis de energia necessários para a sensação orgástica expandida. 

A Terapia Orgástica do Centro Metamorfose - além de apresentar o efeito terapêutico como uma excepcional opção para inúmeras disfunções sexuais - treina e desenvolve o nosso corpo para conseguirmos atingir e sustentar um potencial energético necessário para a experiência do orgasmo expandido. Para isso é preciso criar novas sinopses no nosso cérebro, ressignificando a nossa relação com o toque, percebendo todo o nosso corpo com mais atenção, mais entrega e muito mais amor. E, claro, Terapia orgástica soa muito melhor e menos arriscada do que muitas terapias que são aplicadas através de hormônios artificiais e antidepressivos, que causam assustadores efeitos colaterais, alguns de conseqüências irreversíveis, não é verdade?

Para saber mais

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Sangito Deva
Encontrei no Tantra um caminho de cura muito profundo; desde as minhas primeiras práticas em 2004 percebi que o Tantra tinha um potencial de aliviar muitas das minhas neuroses e compulsões ligadas à sexualidade. Desde então não parei de mergulhar. Em 2013 comecei as práticas [...]

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