Experiência tântrica

Um depoimento profundo

Experiência tântrica

publicado por
em 12/06/2018

Com certa relutância, aceitei o convite para receber uma massagem nas “partes mimosas da natureza”, como diz Sonia Hirsch. Era presente do Jean, meu parceiro há quase vinte anos, e uma oportunidade de conhecer uma técnica ousada de desbloqueio energético: a massagem tântrica.

Por meio de estímulos que despertam, circulam, expandem a energia vital, o Método Deva Nishok “revela o potencial sensorial e orgástico latentes no corpo humano.” Por quase uma década escrevi para a seção sexo de diversas revistas e nunca me furtei a abordar qualquer assunto ligado ao tema – agora não poderia ceder ao tabu! Bom, na verdade, poderia, sim... Escrever é uma coisa, ter a yoni tocada por uma terapeuta desconhecida é outro departamento.

A tensão, no entanto, se evaporou ao começar a conversa pontuada pelo sorriso aberto e franco de Sagari Geovana, uma especialista em massagem tântrica. “Na sessão, não seremos duas mulheres juntas e, sim, duas almas”, explicou. Esse enfoque mais, digamos, espiritual, foi a chave para entender o que eu estava fazendo ali! “Meu interesse maior é conhecer, nem que seja um pouquinho, do que os mestres chamam de “ascensão da Kundalini”. Na época de repórter na ed. Abril, recebi essa pauta e minha fonte principal foi uma instrutora máster de Kundalini Yoga, que parecia viver em estado meditativo, tal sua leveza; mas não mostrava se ater mais aos chacras básicos... Pois bem, vi a oportunidade de trabalhar os pontos energéticos do chão pélvico e do umbigo. “Sei teoricamente da existência desses chacras, mas nunca senti efetivamente suas cores e movimentos... Tem gente que enxerga até a aura dos outros; eu não vejo nada”, confessei, decidida a apresentar meu propósito com a consciência de dificilmente atingi-lo. Sagari Geovana sorriu, fez mais algumas perguntas e indicou onde eu deveria tomar banho. “Volto só de toalha?” Ela assentiu e foi colocar sua malha preta.

Depois da chuveirada de água quente, deitei no colchão sobre o chão. Ambiente aquecido, quase escuro, música gostosa, perfume de óleos; e eu de olhos cerrados, achando certa graça na situação. Por uma hora senti o percorrer dos dedos da terapeuta em toda minha pele, provocando arrepios e prazeres. Ela repetia “respire profundamente”. Obedeci e, levada pelo ritmo constante da inspiração-expiração, fui entrando em estado meditativo. Ao me dar conta desse relaxamento, foquei no “terceiro olho” e mergulhei intensamente em outro plano de existência: eu estava deitada, nua, em um ritual de iniciação, sendo cuidada-observada por um círculo de mulheres. Senti a força e o amor desse entorno feminino e tive vontade de dançar, rir, chorar, agradecer por essa benção! Em algum momento, meu corpo me chamou, observei meu clitóris sendo manipulado, comecei a prestar atenção nos movimentos, mas logo voltei para à cena da roda de mulheres e ao prazer transcendental. Quando o toque dos dedos foi substituído por um vibrador, a energia percorreu intensamente todo meu corpo, senti as lágrimas brotando enquanto ria. Ao final desse momento de pura entrega ao mistério, ainda respirando ritmicamente, toquei a mão da terapeuta, dizendo “está bom, já deu”. Ela respondeu que iria só mais um pouquinho... E tive outro orgasmo tão inesperado que acertei com o joelho o rosto da bela Geovana. Rimos juntas e finalizamos o encontro com minutos de relaxamento. Fim da música, abri os olhos, abracei a moça, agradecida à ela, às mulheres que me levaram ao ápice energético e a todos os homens que me amaram – em especial e, sobretudo, ao meu parceiro. Mais tarde, quando vi Jean, brinquei: “encontrei Jesus!”. Dias após a sessão ainda me sinto abençoada por uma intensa onda de amor.

Partilho a experiência com a plena certeza de que cada sessão, cada pessoa é única, e que o encontro das almas pode ser totalmente diferente; mas nesse lugar, com essa terapeuta, é certo que será pautado pela busca de conhecimento dos corpos físico e energético.  

– Raquel Ribeiro, jornalista, 50 anos

Gostou deste artigo? Acesse outros conteúdos do blog da Rede Metamorfose para saber mais!

Foto de perfil de Sagari Geovana

Sagari Geovana

Tudo começa no corpo.É nele que moram as dores, os bloqueios —e também o prazer, a leveza e a alegria de viver.Meu trabalho é te ajudar a reconectar com esse território vivo,para que você volte a sentir prazer em ser quem é —sem esforço, sem [...]

Veja o perfil completo




Outras reflexões

Campo grande é uma cidade muito querida por nós. Nossa primeira experiência com o tantra na cidade aconteceu em 2015, quando fundamos o Tant...
Chamada de parafilia (preferência sexual fora da normalidade), a podolatria pode ser definida como uma atração nos pés, como se os pés fosse...
O início de uma trajetória é sempre caracterizado por um único passo. É ele que desencadeia uma série de outros, responsáveis por colocar qu...
Você sabia que não há problema algum praticar relação sexual menstruada? Há mulheres que preferem esse período, algumas ficam com a libido e...
Coisa mais perfeita é beijar... O beijo é um ato tão lindo, tão maravilhoso, tão amoroso, capaz de transmitir tantos sentimentos elevados. T...
Te convido a fazer a seguinte prática, me fez um carinho no coração, e eu espero que possa fazer no seu também. Hoje parei um pouco, fechei ...
Continuando do último artigo aonde falamos profundamente sobre larvas astrais, vamos buscar elucidar o entendimento vibracional dessa patolo...
“No Oriente desenvolvemos uma ciência: se você não consegue encontrar uma alma gêmea, crie uma. E essa ciência é o Tantra. Encontrar uma alm...
A pandemia nos trouxe muitas incertezas em relação às necessidades básicas de sobrevivência que estão relacionadas ao nosso primeiro chakra ...
Os homens têm mais centros de prazer do que se imagina. Além das áreas obviamente sensíveis, existem várias outras zonas mais erógenas, que ...
Você já sentiu que há algo mais em você do que apenas o corpo físico? Já ouviu falar em campo energético e corpo energético, mas nunca enten...
Uma das disfunções sexuais que mais atingem mulheres em todo o mundo é a incapacidade de atingir o orgasmo – tecnicamente chamada de anorgas...
Quando se vive em sociedade, nem sempre podemos fazer, falar ou ter aquilo que desejamos. Isso é normal, mas toda vez que negamos um sentime...

Eventos com data marcada