Sexo Tântrico




Sexo Tântrico é uma experiência de comunhão de corpos que utiliza a força da energia sexual para colocarmos em estados alterados de percepção e consciência. Muito presente nos rituais tântricos não-dualistas, o Maithuna como é chamado em Sânscrito, é uma prática meditativa e ritualística que procura trazer para o homem a experiência de conexão da atmosfera interna com a atmosfera externa, de dissolução do ego e da identidade em favor da conexão que se pode ter com todo o universo. Assim como podemos dissolver nossa percepção e transformar nossa mente observando a chama de uma vela, podemos seguir um caminho parecido substituindo a vela pela relação sexual com conexão e presença.

É muito comum encontrarmos nos texto tântricos o uso de substâncias ou artefatos para servirem como objeto da nossa meditação. Assim como muitas linhas de Tantra clássico utilizam carnes e vinhos para seus trabalhos ritualísticos, é possível utilizarmos a presença do outro e a comunicação que acontece espontaneamente entre os corpos para servir como instrumento de meditação.

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Tratak, por exemplo, é uma poderosíssima técnica de meditação tântrica que utiliza o contato visual com os olhos do companheiro de prática para servir de ponte para o processo meditativo. Ao invés de meditarmos olhando para a chama de uma vela ou observando a respiração entrando e saindo, é possível meditarmos na presença do olhar do outro. Isso vai conduzir a experiência meditativa de maneira extremamente peculiar, ativando processos específicos durante o caminho, fazendo com que determinados conteúdos possam vir à tona durante a prática.

Vale lembrar nesse momento que o Tantra é um caminho de autoconhecimento que reconhece e utiliza a bioeletricidade que produzimos como instrumento para a meditação. E o Tantra, por ser uma filosofia nada moralista e extremamente natural, sabe também que poucas coisas no universo movimentam tanta energia de maneira espontânea e intensa quanto a atração sexual. A força instintiva dessa energia, quando dirigida para a consciência de maneira meditativa, pode expandir a nossa percepção e a maneira que filtramos a nossa realidade.

Como é o sexo tântrico na prática?

Primeiramente precisamos entender que o Tantra, embora mobilize uma força bastante prazerosa pra todo o corpo, nunca foi um caminho hedonista. Mesmo nos rituais de sexo tântrico, o prazer no Tantra nunca foi uma finalidade em si. O prazer é apenas um dos tantos instrumentos que possuímos no nosso corpo energético, físico e emocional para trabalharmos e desenvolvermos a nossa consciência. Isso quer dizer que, ao contrário da noção comum que temos a respeito de sexo, no sexo tântrico não temos um objetivo, uma meta, uma finalidade que recaia absolutamente no prazer. O prazer pode sim ser um subproduto da atividade cuja finalidade é sempre expandir a nossa percepção e a nossa consciência. O prazer - assim como a abstinência, a resignação, a conduta moral - possui roteiros e caminhos para desenvolver ao longo do nosso corpo. O prazer sexual ativa nossos instintos mais primitivos e, é muito comum - principalmente numa sociedade como a nossa, na qual sexo é um tremendo tabu - que quando estejamos ativados pelo prazer sexual que simplesmente a gente ceda à força desses instintos e, dessa forma, que ajamos sem pensar com clareza nas consequências.

Quando percebemos o prazer intenso que a sexualidade saudável é capaz de proporcionar, mas adicionamos uma pitada de humanidade e de movimento dessa energia para a nossa consciência, as sensações, as percepções e as emoções que se movimentam no nosso corpo encontram novas maneiras de se expressar. Isso faz com que a nossa energia se movimente de outras maneiras dentro do nosso sistema, levando equilíbrio e cura para todo o nosso sistema nervoso, fazendo com que padrões reativos que são repetidos de maneira inconsciente encontrem novas maneiras de se expressar.

O Sexo dentro do Tantra é visto como uma experiência sagrada, divina, capaz de abrir portais para dentro da nossa consciência. Ele é vivido com bastante tranquilidade, com muita leveza e companheirismo. No sexo tântrico a espontaneidade neurótica que vivemos na nossa sexualidade dá lugar à cumplicidade, à troca genuína entre pessoas que veem na experiência sexual uma oportunidade para se descobrirem. Nada é imposto, tudo é acordado de maneira sensorial, com presença e atenção ao corpo do outro.

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Cláudia
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    • Antes mesmo de conhecer o trabalho e ensinamentos tântricos na prática, ao ler o site da rede metamorfose, senti que havia ali algo vital e [...]
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    Agni Devani (Débora Nass)
  • Mitos sobre o sexo tântrico

    "Sexo Tântrico tem que demorar horas." Essa é uma das concepções mais equivocadas que se tem a respeito da prática do Maithuna. Não há nenhuma implicação dessa maneira dentro do Tantra, simplesmente pelo fato de que não existem metas nem objetivos senão a experiência sensorial de perceber a si e ao outro. A prática de sexo tântrico é feita sem afobação, sem pressa, sem a meta do orgasmo. E nada disso quer dizer que ela precisa durar horas para se qualificar de maneira nenhuma. A experiência dura o quanto deve durar, de acordo com a vivência e a proposta das pessoas que mergulharam dentro dela. Uma prática não é melhor ou pior do que a outra porque demorou menos ou mais. Precisamos entender isso do ponto de vista de um caminho espiritual, sem moralismos. O Tantra acredita que, para conseguirmos pescar no astral a alma de um Buda ou de um ser que possa chegar nesse plano com um grande potencial para a iluminação, precisamos de uma concepção com bastante energia para que essa alma seja trazida para um corpo físico nesse planeta. Por isso a experiência, quando tem essa finalidade, é uma experiência que precisa especialmente de mais tempo, de mais estímulos e de mais energia sendo trabalhada na prática. Nada disso quer dizer que um sexo rápido no banco de trás de um carro estacionado na rua seja mais ou menos sagrada do que uma prática de Maithuna. O Tantra nunca fez esse tipo de julgamento, ele apenas procura uma maneira mais inteligente de utilizar essa energia, seja qual for o seu fundamento.

    "No Sexo Tântrico não pode ejacular." Esse mito segue de mãos dadas com o primeiro. Ele traz uma noção de performance que não tem absolutamente nada de Tantra. Em alguns rituais específicos de Tantra, o sêmen, assim como a saliva, o sangue menstrual e outras substâncias era utilizadas como instrumento dos rituais. Muito nesse caso se confunde com algumas ideias Taoístas - que usam o sexo não como instrumento de transcendência, mas como uma fonte de energia para termos mais vitalidade - que sugerem uma restrição da ejaculação de acordo com a idade do homem para que ele possa manter uma vida mais saudável. O Tantra não, nunca mencionou sequer uma linha de seus textos a respeito de ejacular ou não ejacular. Ele diz sim, que a experiência sexual começa quando pensamos na nossa parceira ou parceiro, quando tocamos, quando cheiramos, quando percebemos o outro com todos os nossos sentidos. O Tantra tira o foco da ejaculação e da penetração fazendo com que possamos nos sentir em vários outros aspectos que, por conta das nossas neuroses, acabam sendo desconectados da nossa sexualidade no mundo de hoje.

    "Sexo Tântrico e Kama Sutra são a mesma coisa."Nada poderia ser mais diferente. O Kama Sutra é um manual de etiqueta sexual que vai além de meras posições para penetração. É um texto extremamente machista que ensinava homens como dominar e subjugar mulheres para obter a sua própria satisfação. O Tantra nunca apresentou um manual sobre sexo, nunca sugeriu posições ou condutas para controlar o corpo ou a mente das pessoas que participam de suas práticas. Muito pelo contrário, a maioria dos textos tântricos exalta o papel da mulher e a coloca numa posição de sacralidade e respeito. O Tantra reconhece que a mulher tem uma força sexual muito maior que a do homem e procura utilizar essa inteligência do corpo feminino, novamente, como instrumento de meditação.

    Como começar a praticar?

    Dado o grande volume de desinformação que existe sobre o assunto na internet, a melhor maneira de iniciar no caminho do Sexo Tântrico é procurar um terapeuta capacitado para prestar orientações. Mesmo que você não tenha parceiro ou parceira, vale a pena procurar uma experiência de meditação tântrica. Existe muito no Tantra para ser experienciado sem a presença de uma companhia e todo esse caminho trilhado sozinho vai fazer bastante diferença para quando a experiência do Maithuna for possível e se tornar presente.

    Mas e possível também começar a sua prática já com uma companhia. Existem grupos e workshops de Tantra voltados especificamente para casais nos quais é possível vivenciar diversas experiências de sexualidade meditativa.

    É importante ressaltar que todos esses trabalhos, quando são desenvolvidos com seriedade e profissionalismo, vão levar o casal a um caminho que segue na contramão dos fetiches e das fantasias. É muito comum ouvir pessoas perguntando se existem trocas de casais ou sexo em grupo em um workshop de sexo tântrico. Nenhum artifício que exalta esses padrões mentais de uma sexualidade extremamente neurótica pode ser chamado de Tantra. O Tantra caminha no rumo da maturidade sexual, no desenvolver de novas sensações, de uma nova percepção do próprio corpo e do corpo do parceiro. Esse caminho pede uma mente mais relaxada, mais livre dos paradigmas que já conhece e, principalmente, uma mente que não procura ficar se estimulando continuadamente durante a experiência sexual. O potencial de cura do Tantra reside justamente aí; ele retira o peso e a força que o sexo exerce nos nossos pensamentos e que tanto agita nossa mente e retorna a força da energia sexual para o corpo, para o centro sexual original do nosso sistema.



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    Talvez o maior benefício que o sexo tântrico consiga trazer para a nossa sexualidade é um profundo estado de relaxamento. Masters e Johnson são pesquisadores da sexualidade que, nos anos 60, já apontavam a necessidade de estarmos profundamente relaxados para temos um ciclo de resposta sexual saudável e satisfatório.

    Como o Tantra traz a meditação para a experiência sexual, pouco a pouco vamos aprendendo a relaxar cada vez mais na experiência. Em termos fisiológicos, começamos a ativar e manter presente o nosso sistema nervoso parassimpático no momento da excitação, fazendo com que os traumas, as neuroses e as compulsões sexuais percam a força da sua influência não só no nosso comportamento, mas na nossa bioquímica também. Conforme seguimos meditando na experiência sexual, o corpo deixa de se sentir ansioso e aflito como normalmente se sente e todo nosso aparato sensorial funciona com mais presença. Não apenas isso, mas toda a musculatura envolvida no processo excitatório acaba respondendo melhor. O fluxo sanguíneo também segue a mesma lógica e permite que a excitação aconteça sem distúrbios.

    Fato é que, uma vez que mergulhamos nesse caminho, começamos a tratar o nosso corpo de uma maneira mais saudável. Começamos a olhar para o sexo com outros olhos, a perceber a penetração como uma atitude muito mais íntima do que normalmente consideramos. Vai ficando cada vez mais claro o nível de comunhão e troca que é possível se atingir durante uma experiência sexual quando não estamos pensando em sexo, em performance ou qualquer outra coisa que faça com que a atividade sexual pareça trabalho. Quando tiramos toda essa pressão da cena e adicionamos a meditação o sexo ganha muitas qualidades. E esse sim, é um caminho sem volta.

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