Sobre penetração e presença.

Bem vindo, pode entrar!

Sobre penetração e presença.

publicado por Sasha Cali

Quando você não está em casa, permite que alguém venha lhe visitar? Ou, você visita alguém que não está para te receber? Se lhe parece um tanto destituído de sentido e racionalidade, afinal para recepcionar alguém você precisa estar presente, ou se fazer presença, para ser recepcionado, penso, de fato, o que conota a palavra presença em seu potencial sentido?

Segundo o Dicionário (qualquer um que você pesquisar), é um substantivo feminino, que se dá ao ¹fato de -algo ou alguém- estar em algum lugar; comparecimento, ou mesmo o ²fato de –algo ou alguém- existir em algum lugar, existência. Sendo assim, para se visitar algum lugar intencionalmente, você adentra/entra ao suposto e convidativo espaço, e, buscando suporte sobre a expressão da mesma forma que a anterior, quando você entra, do verbo entrar/penetrar você ¹desloca-se ou passa de fora para dentro, ²vaza suas águas em, desemboca, despeja-se, de um lugar ao outro.

Um substantivo feminino, acompanhado de um verbo. Verbo, substantivo masculino, ¹palavra, discurso, que do ²ponto de vista semântico temos a noção de ação ou estado. E não esquecendo também que a própria bíblia traz referência ao Verbo de uma forma um tanto significativa e substancial:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.”
(João 1:1-4)

Tema do primeiro capítulo de Gênesis que faz menção e retoma a criação inicial do universo, e, antes de leva-los ao cume da montanha ao qual vislumbro um determinado horizonte, com intenção clara de leva-los à mesma contemplação, conseguem conceber a importância da verdadeira da presença a adentrar qualquer espaço, inclusive o próprio?

Mulheres, quando saem de casa, permitem a entrada de alguém ao seu espaço sagrado sem vossa presença? Quando estão em casa, recebem de qualquer forma quem entra ao seu templo, ou as recebem mesmo sem a menor vontade de ter visitas? Homens, quando alguém os convida a entrar num determinado ambiente, vocês vão de qualquer jeito, sentando com pernas a quase completar um ângulo de 180° apoiando o pé na mesa de vidro central? Ou mesmo percebem que não há alguém para recebe-los adentrando mesmo assim? Obviamente meu apelo visual se tratando de gênero masculino/feminino é unicamente uma referência a polos de energia, Yin/Yang, Shakti/Shiva, e polaridades energéticas não se resumem unicamente a questões biológicas sintetizadas a genitais, mas, de forças energéticas, e isso independe do seu corpo físico, mas de um padrão de energia e de como ele exerce força e forma através de você.

Essa força e a forma num ato de penetrar e se permitir penetrar, não se resume unicamente na superficialidade do ato, mas atinge uma profundida tamanha que os que desconhecem de si, são capazes de serem invadidos e invadirem de forma inconsciente causando dor, (re)trauma, (re)abandono e vazios capazes de serem mais profundos que canyons e abismos, nos colocando a margem de percepções projetadas quanto ao outro, mesmo que este jamais tenha a intenção de lhe causar tais hematomas emocionais, tamanha consternação.

Delegar ao outro o poder de total satisfação com sua presença, não faz dele(a) a melhor das visitas ou quiçá o melhor dos anfitriões. O espaço da satisfação plena e intransferível é papel somente seu. O sentido de presença do/com outro, só é afirmado quando o seu sentido de presença é totalmente pleno e seguro de si. Afinal de contas, você saberá exatamente sobre seus próprios tempos e espaços no tocante de receber ou não alguém no seu espaço sagrado, ou de se ter a honra de receber o convite ao espaço de alguém.

Uma das chaves do caminho do Tântrico é a desopressão, ou seja, tudo aquilo que é absolutista na maneira ao qual deve se compor seu comportamento e bases relacionais, tudo aquilo que te tem em rédeas tirânicas te moldando tal qual qualquer ambiente externo que não lhe corresponda interiormente, te causará dor inevitavelmente, pois você não exerce a absoluta competência do seu ser. E para se desempenhar um papel nato em sua existência, você precisa conhecer-se em tal profundidade, que não lhe incomoda ou cause ruídos ser quem você é de fato, por receios mil de não ser aceito por qualquer meio que compõe seu entorno. Afinal de contas, você tem um matrimonio interior inabalável por qualquer outra estrutura sociocultural/parental-relacional.

Quando me refiro aqui sobre presença, trago também todas as suas faltas. Quando você permite alguém ao seu espaço, esse movimento se dá por carência(?), pelo não exercício ao silencio interior(?) e precisar e alguém para preencher espaços ou por qualquer tipo de vingança alheia a usufruto da companhia do outro(?) em decorrência de outra dor qualquer que te gerou sensação de abandono? Quando entra num espaço, você entra consciente da honra daquele convite(?), compreende a importância de tamanha permissão(?), ou vai porque não suporta por muito tempo a presença de si e já que o outro o solicitou, porque não?

Quando está nesse espaço, está disposta(o) a ouvir e ser ouvido(?), a sentir e ser sentido(?), a tocar e ser tocado(?), a respeitar e ser respeitado(?) com todas as nuances que lhe acompanham e acompanham quem te acompanha nesse exato momento? No momento da visita aparecem os boletos voando ao seu redor da sua cabeça, um trauma relacional provocado por alguém do passado e que lhe dói os joelhos de tanto que chorou agachada no chuveiro, uma fala persistente e constante de “-será que desliguei o gás?”, “- será que tal filme já saiu do cinema?”, questionamentos entre uma respiração e outra. Você está respirando enquanto está na companhia do outro, ou sua fala apressada quase se desfaz em apneia.

Um ato tão profundo, muitas vezes relegado a periferia da satisfação corporal, porém com um pouco de consciência e observação e presença de si e do outro, um pequeno vislumbre de universos distintos em si e no outro torna-se um ato, que, em seu exercício até então superficial, ocasiona sua particular menção a um novo universo, sua Gênesis particular a partir da presença plena em si e no outro. Nada está incompleto, nada falta, e tudo a partir daí é cocriação plena de dois indivíduos que já pertenciam a si antes mesmo de dividir seus espaços e pertencerem um ao outro, sem perderem suas próprias referências.

E essa energia plena em si e de si, pode te levar além em potência criativa de vida, geradora de vida e de vitalidade, e tantos outros potenciais num espaço que você jamais imaginou, dissolvendo-se em limites onde você jamais se sinta invadido por algo ou alguém. Essa é a energia que o Tantra cocria com você a partir do momento que você toma consciência do seu espaço, dos seus lugares, das suas faltas e falhas, das suas memorias, das suas potências, da sua presença, do seu adentrar e suas motivações, do seu verbo e suas ações.

Sejam seus, sejam amorosos, sejam presentes, sejam acolhedores, sejam livres e sejam do universo inteiro sem qualquer molde que os reduza a estarem onde não estão. Sejam Deuses e Deusas em seu todo e em todo universo dotados de ação e manifestação.

Sasha Cali – Terapêuta Tântrica

[ art "Penetration" by Alicja Wysocka ]

Sasha Cali
Terapeuta Tântrica Corporal, formada em todas as modalidades do Método Deva Nishok, iniciada no ISTA - SSSEX Level I (Spiritual Sexual Shamanic Experience), Terapêuta Quântica formada em Processos de Access Consciousness (Barras Access & Facelift) e Meditações com aplicações de Tons Pineais. Mestre Reikiana, Mentora [...]

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