Yoni Massagem - nossa repórter se rendeu ao Tantra

Yoni Massagem - nossa repórter se rendeu ao Tantra

publicado por Rafaela Rigatti

Revista NOVA

com

Nossa repórter entregou o corpo (todinho) a uma terapia tântrica que promete orgasmos múltiplos, com direito  a exploração do ponto G. Ainda com as pernas bambas, ela conta a experiência a seguir.

Certa noite, navegando na internet, topei com uma página que me fez acordar mesmo estando morta de cansada: “Tantra, O Caminho do Amor”. Cliquei no link “Massagem Tântrica” e dei de cara com a tal técnica Yoni – que denomina, em sânscrito, o “espaço sagrado”, o “templo sagrado”, a vagina. Ela prometia prazer excepcional, anos luz além do que costumamos conseguir. Dizia lá se tratar de um complexo sistema de tratamento desenvolvido pelo terapeuta Deva Nishok que modifica a estrutura da nossa menina e rende alta performance à mulher que tiver coragem de se aventurar. Detalhe: o terapeuta consegue isso tudo tocando e apalpando, digamos, o túnel secreto da cliente. Uauu! Passei a madrugada pensando se teria a ousadia. Confesso que meu sono foi agitado. Também me perguntava o que meu namorado acharia de uma experiência tão pouco usual. Bem, eu não era obrigada a contar a ele, não é?

No dia seguinte, visitei o mesmo link. E só ficava mais tentada. Quem não quer ter orgasmos múltiplos, explorar ao máximo o ponto G? Resolvi marcar a sessão. Escolheria no próprio site o terapeuta que faria a massagem. Podia optar entre três homens e quatro mulheres. Ao lado do currículo de cada um, havia uma foto. Excluí todos os do sexo masculino. Não conseguiria ser tocada  por um cara que nunca vi. Olhei bem o rosto das terapeutas e decidi por uma loira, que tinha um ar calmo. Liguei para o celular dela. Caixa Postal. Deixei recado, mas minha empolgação foi parar no subsolo.

Em 40 minutos, recebi o retorno e agendei para dali a dois dias, na unidade da clínica que fica na Vila Madalena, bairro de São Paulo. Nessas 48 horas pensei em desistir umas 87 vezes. Mas fui, firme e forte. O Centro Metamorfose fica em um sobrado com decoração de casa de mãe (sofás macios, cozinha com cheiro de café). Na frente, apenas uma placa com os dizeres “Centro de Desenvolvimento Integral”. Ninguém desconfiaria do que tinha ido fazer ali. Ainda bem.

Fui recebida pela própria terapeuta, uma loira de meia idade, cabelo curto e ondulado. Fui, guiada por ela, a uma das várias salas onde são feitas as sessões (no caminho, encontrei outros terapeutas com os quais troquei cordiais “boa tarde”). O lugar era pequeno, iluminado com luz indireta. No chão, apenas um colchão fino forrado de plástico e algumas almofadas. Após nos sentarmos, ela explicou como seria a massagem. Disse que tocaria os grandes e pequenos lábios, introduziria o dedo na minha vagina para massagear o ponto  G e terminaria usando um vibrador no clitóris. Também perguntou por que eu havia procurado a terapia (curiosidade foi a minha resposta), se gostaria de tomar um banho(eu já havia feito isso), avisou que eu poderia ejacular e que isso era normal (bom saber!). Pediu que tirasse toda a roupa e deitasse de barriga para cima, pernas abertas e olhos fechados. Eu, meio arredia e completamente apreensiva, obedeci. Ao som de música indiana, a terapeuta começou a passar os dedos por todo o meu corpo, causando arrepios deliciosos. Pés, pernas, coxas, seios, braços, cabeça... Ela me pediu para virar de bruços e o movimento continuou: nádegas, costas, pescoço. Fiquei feliz por não ter, logo de cara, alguém acariciando minha vagina... Pelo menos rolaram algumas preliminares!

Fiquei novamente de costas. Ouvi barulho de borracha enquanto ela vestia luvas cirúrgicas. Abri os olhos e a vi besuntando as mãos com lubrificante. Logo após elas deslizavam pela parte interna das minhas coxas, fazendo movimentos parecidos – porém mais suaves – com os de drenagem linfática. Com a ponta dos dedos, pegou os grandes lábios, cada lado com uma das mãos, e foi apertando-os suavemente em toda a sua extensão. O mesmo foi feito nos pequenos lábios. Até ali a sensação era gostosa, mas nada que me fizesse ouvir os sinos tocarem. Então, com o dedo indicador em cima da curva do osso púbico, Deva passou a fazer movimentos profundos e laterais sobre a “parte interna do clitóris que fica presa ao osso pélvico”, segundo sua explicação. E então introduziu, com delicadeza, o dedo médio na minha vagina e passou a estimular o ponto G. O movimento leve de vaivém foi ficando rápido e mais profundo. Eu já estava perto de pedir para parar (não sem certa decepção, porque não havia experimentado nada do que era anunciado no site) quando ela parou. Meu ponto G devia estar ausente naquele dia... Ouvi ruídos que não consegui identificar até que uma sensação maravilhosa tomou conta do meu clitóris: um vibrador, tipo cápsula, começava a me dar o prazer tão esperado.

Deva o posicionou em vários pontos sobre o ponto C, em diferentes velocidades e pressões. Cheguei ao meu primeiro orgasmo em menos de três minutos. Ela o desligou e voltou a passear com os dedos por toda a extensão dos grandes lábios. Pressionou novamente o aparelho vibrante no meu botão mágico. E lá veio o segundo clímax. Pensa que ela desligou o brinquedo? Nada. E., mesmo com a sensibilidade extrema que um orgasmo causa na região, senti uma nova onda de prazer. Ela continuou estimulando minha pérola com o aparelho. E veio o quarto tsunami. A terapeuta dizia frases me incentivando a mergulhar na experiência, deixar a eletricidade tomar conta do meu corpo e da minha mente. Alcancei mais um orgasmo. E, sensação inédita, descobri que não agüentava mais. Meu corpo estava feliz, mas exausto. Pedi a ela que parasse... e dormi por alguns minutos.

A propaganda não era enganosa e os 290 reais foram pra lá de bem empregados. Fui para casa e fiquei à espera do meu amor. Em meia hora, ele abriu a porta. Eu, sem contar nada sobre a experiência sensacional que tinha acabado de viver, o recebi com um beijo cheio de segundas intenções e o levei para o quarto. E então tive o sexto orgasmo do dia. Desta vez, sem nenhum constrangimento. Só prazer.

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